17
Ago 09
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Parque Das Nações – O Projecto Urbano:
 
 A par da realização da exposição, toda a área urbana sofreu uma importante transformação (que se concluirá apenas em 2010) motivada pela ideia de “transformar” a zona oriental de Lisboa, e para a qual foi escolhida a designação de Parque das Nações : “ o Parque das Nações, que ultrapassa o recinto onde se realizou a Exposição Mundial de Lisboa, de 22 de Maio a 30 de Setembro de 1998, reabriu no dia 16 de Outubro seguinte, apenas duas semanas depois - como espaço de fruição universal”. [i]
 A urbanização do Parque das Nações abrange uma área de 330 hectares, com 5 km de frente ribeirinha do estuário do rio Tejo, integrando, numa área de 60 hectares ao redor da doca dos Olivais, o anterior espaço expositivo da exposição mundial de 1998 : “A reconversão dos 330 hectares da Zona de Intervenção da Expo’98, com 5 quilómetros de frente ribeirinha, foi concebida com base num projecto que privilegiou conceitos inovadores e de elevada qualidade.” [ii]
Com base na 1ª fase da urbanizaçãoconcepção do espaço público e edificado para a realização da exposição, incluindo os seus apoios urbanos (áreas residenciais, equipamentos, serviços, infra-estruturas urbanas, estacionamento, zonas verdes) – o conceito urbano corresponde “à revalorização da relação da cidade com o rio, à recuperação do ambiente e da paisagem, à garantia da integração deste espaço no tecido urbano de forma a constituir um novo centro na Área Metropolitana de Lisboa. Ao libertar a área global do Parque das Nações de todas as actividades que ali existiam foram recuperados 110 hectares de espaços verdes. Mais ainda o seu planeamento urbano foi definido em função das necessidades da cidade ideal”. [iii]
Como referem os responsáveis da Parque Expo SA, essas necessidades foram identificadas através de extensos estudos de mercado dirigidos a empresas e futuros habitantes do Parque das Nações. Depois, foi escolhida a melhor estratégia de satisfazer essas mesmas necessidades : “ A estratégia adoptada passou pela criação de um espaço urbano de elevada qualidade integrando as mais diversas funções urbanas, para obter uma vivência equilibrada”[iv] Desta forma, o Parque das Nações engloba cinco áreas que desempenham funções urbanas diferentes :

- 1ª Área : O Centro de Negócios que, localizado ao longo de várias avenidas e junto à Gare do Oriente, engloba algumas sedes de empresas nacionais e internacionais como a SONY, a VODAFONE, a IBM., a PORTUGAL TELECOM, a TNT, a FORD LUSITANA, a BBDO, etc . Os edifícios que integram o Centro de Negócios ocupam uma área considerável ao longo da avenida D.João II – avenida principal que serve a Gare do Oriente e o Vasco da Gama – e possuem amplos parques de estacionamento ao nível térreo. O Centro de Negócios engloba ainda o novo espaço da Feira Internacional de Lisboa, como espaço privilegiado de contactos, vendas e negócios no interior do Parque das Nações, bem como uma série de serviços ( diversas agências bancárias, lojas de telecomunicações, correios e dois hotéis – Hotel Meliá e Hotel Tivoli Tejo) restauração ( alguns restaurantes ) e comércio para servir aqueles que nele trabalham;

 2ª Área : A das Acessibilidades que inclui a Estação do Oriente que constitui um Interface de várias formas de transporte : o transporte Ferroviário : CP/Médio e Longo curso e Internacionais; Metropolitano de Lisboa – a linha Oriente; o transporte rodoviário – serviços urbanos, suburbano, regional e expressos; Praça de Táxis; Parque de estacionamento para 2.000 viaturas; serviços aeroportuários e de check-in ( de companhias como a TAP, Swissair e a Sabena entre outras); Serviço de aluguer de automóveis e o sistema de Controlo e informação de Tráfego Rodoviário (CIRPOR). Para além disto, o parque das Nações está situado na confluência de todos os grandes eixos rodoviários, beneficiando de infra-estruturas como a CRIL, a variante à EN10 (Sacavém), a Ponte Vasco da Gama, o Eixo Norte- Sul e o Terminal Fluvial com funcionamento irregular entre Lisboa e a Margem Sul;
 3ª Área : que engloba as chamadas Zonas Residenciais, de entre as quais se destacam a zona residencial junto à Marina do Parque, que corresponde à antiga zona sul da EXPO’98 e, a zona residencial da zona Norte, que vai desde a Praça SONY até ao Parque do Tejo. Ambas incluem passeio arborizado, restaurantes, bares, cafés, esplanadas, estão rodeadas de espaços verdes e ligada por passeios e pequenas praças.
 As estruturas de apoio englobam um Hospital ( Hospital das Descobertas) situado na zona sul junto ao eixo ferroviário, duas escolas ( a ESTSL, na fronteira com a parte mais antiga de Moscavide e a 123 Vasco da Gama situada no coração da zona Norte), espaços de lazer, instalações desportivas e equipamentos vários de comércio e restauração;
4ª Área designada de Comércio e Lazer – completa o Centro de Negócios e as Zonas Residenciais com um leque alargado de espaços comerciais, restauração, zonas verdes e espaços de lazer. Os espaços principais são naturalmente o Centro Comercial Vasco da Gama concebido e explorado pela SONAE com uma zona de restaurantes, cinemas, um hipermercado, lojas diversas e parque de estacionamento; e a Estação do Oriente, interface de vários meios de transporte que constitui uma porta de entrada do parque das nações.
Para, além disso, as zonas verdes ocupam uma área assinalável no recinto do Parque das Nações: Os Jardins da Água situados na zona Sul, perto do Oceanário, possuem uma identidade comum que resulta quer do seu desenho global, quer de obras da pintora Fernanda Fragateiro. Neles, a temática de água é tratada nas suas múltiplas vertentes : biológica, sensorial, lúdica, artística, científica, etc. [v]
 Os Jardins Garcia da Orta, localizados entre o passeio ribeirinho e a zona dos restaurantes situados junto à Feira Internacional de Lisboa, na zona norte do recinto, “são seis talhões que se sucedem com 25 metros de largura cada, que recriam o ambiente vegetal dos diferentes lugares percorridos pelos portugueses nas suas viagens entre oceanos : Macau, Goa, Timor, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Madeira, Açores, Brasil e a baía de Moçâmedes em Angola”.[vi]Englobam cerca de 400 espécies diferentes oferecidas pelas regiões e países que aderiram a este projecto de celebrar os Descobrimentos e ficam associadas de uma forma simbólica ao nome do médico e botânico português Garcia de Orta (1501-1568), que viveu na Índia 30 anos e onde compilou o primeiro registo ocidental de plantas orientais.
O Jardim do Cabeço das Rolas, desenhado pelo arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles completa o leque de espaços verdes da zona, embora esteja situado fora do espaço da exposição e por isso um pouco fora dos passeios dos visitantes.
Os extensos e largos passeios, com jogos de água, bancos e sombras espalhados por todo o recinto, os serviços de apoio assegurados pelo Parque das Nações aos seus visitantes, o Bowling Internacional de Lisboa, o Teleférico que liga a Torre Vasco da Gama ao Oceanário que proporciona uma vista geral do recinto.

5ª Área :as chamadas Âncoras Urbanísticas[vii] do projecto urbano do Parque das Nações, que são o Oceanário de Lisboa (situado junto à Doca dos Olivais), o Centro Comercial Vasco de Gama (que liga a Gare do Oriente ao espaço público do Parque das Nações), a Feira Internacional de Lisboa (situada na zona norte do espaço público) e o Pavilhão Atlântico, onde se realizam os mais variados eventos, sejam musicais, desportivos, comerciais, religiosos, ou políticos, e que atrai ao Parque das Nações milhares de visitantes.



[i] Sítio da Parque Expo, página 1
[ii] idem
[iii] ibidem
[iv] ibidem
[v] “Guia Oficial da Expo’98-Arte Urbana” página 250 até à 253
[vi] “Guia Oficial da Expo’98 - Jardins de Água e Jardins Garcia da Orta páginas 56/57/58/59
[vii] Definição de “Âncora” : espaço de referência e de elevada capacidade de atracção de visitante
sinto-me: Desiludido
música: Silêncio

14
Ago 09
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A Exposição Mundial De Lisboa – Expo’98
 
A última exposição do século XX , que decorreu em Lisboa de 22 de Maio a 30 de Setembro de 1998, foi subordinada ao tema “Os Oceanos, um Património para o Futuro”:- um elemento inovador na realização deste tipo de exposições como destaca Ole Philpson , o Presidente do BIE à data da exposição - “A Expo 98 veio pôr em prática um conceito novo e fascinante : a utilização do tema como um fio condutor que percorre todo o evento”. [i]
Os pavilhões temáticos, como o o Pavilhão do Conhecimento dos mares, o pavilhão do Futuro, o Pavilhão da Utopia, o pavilhão de Portugal, o Pavilhão da Realidade Virtual, o Oceanário, às áreas temáticas como a área de exibição náutica com as diferentes embarcações representando momentos históricos diferentes da relação do homem com os Oceanos, ou a área dos jardins da água , com várias formas de utilização da água, ou ainda os jardins Garcia da Orta com as plantas que recriavam o ambiente vegetal de diferentes lugares percorridos pelos portugueses nas suas viagens, todos estes espaços subordinados à temática geral da exposição.
Os pavilhões dos 146 países participantes, divididos em duas áreas no espaço do recinto - a área international norte e a área international sul – e os pavilhões das organizações internacionais dedicaram os seus espaços expositivos à relação de cada país com as temáticas da utilização da água, relação com os Oceanos. De assinalar que este leque alargado de participação de diversos países, culturas e povos distintos constituiu um dos aspectos mais relevante do evento ao permitir a comunicação à escala mundial num espaço pequeno unificada pela dimensão dos oceanos. 
Em suma, como fio condutor, o tema da Expo 98, ligou os pavilhões temáticos e dos participantes, oficiais e não oficiais, tendo estado representado, quer nos espaços públicos , quer na actividade cultural realizada no recinto da exposição.
 
 
O Espaço Da Exposição
 
 O projecto do espaço dedicado à exposição permitiu a criação(construção) de um conjunto de obras de elevado valor arquitectónico, inovadoras e modernas. Na linha do objectivo de criar um espaço moderno, atractivo e profundamente inovador destacam-se o Pavilhão de Portugal ( de Àlvaro Siza Vieira ), o Teatro Luís de Camões, a Torre Vasco de Gama, a Estação de Oriente ( de Santiago Calatrava ) e o actual Pavilhão Atlântico ( à data da exposição designado Pavilhão da Utopia ).
O espaço físico da exposição, projectado na dupla perspectiva de ser um lugar para um acontecimento efémero por excelência e na perspectiva de articulação da realização da exposição com a reabilitação urbana, foi concebido para a circulação pedonal e assentou em três ideias chave:
 1.Estrutura urbana facilmente memorizável pelos visitantes;
   2.Ligação forte ao tema da exposição (com os jogos de água, fontes e lagos integrados nas ruas e alamedas do recinto);
   3. imagem articulada para toda a exposição em que as diferentes arquitecturas fossem integradas numa linha de harmonia e coerência.
   O recinto consistia em dois eixos octogonais: um, na direcção norte - sul, coincidente com a alameda, nos extremos dos quais se localizavam as portas do Norte e do Mar (actual zona Sul); e o outro, que passava pela Estação do Oriente, na direcção nascente - poente, que tinha como extremos as Portas do Sol ( actual Centro Vasco de Gama ) e do Tejo (porta ribeirinha).
 
 
Programação Cultural
 
 Os espaços de lazer e animação cultural - dos palcos espalhados pelo recinto às áreas abertas -proporcionaram, a todos os visitantes da exposição, a possibilidade de ouvir música de diversos países, ver teatro, danças e outros espectáculos trazidos pelos diversos países participantes para dar a conhecer um pouco da sua cultura :
Espaços Cénicos (15) :
Palco 1- Fado;
Palco 2 – Jazz e World Music;
Palco 3 – Música dos PALOP e Brasil;
Palco 4 – “Sentir os Povos” (e. g : Cultura Cigana e América Latina);
Palco 5 – Generalista;
Palco 6 – Música Alternativa Portuguesa;
Palco Promenade – Grupos corais e foclóricos, bandas e orquestras, Dança tradicional e contemporânea;
Anfiteatro da Doca – grandes espectáculos de música, Teatro, moda, dança e concertos multiétnicos;
Praça Sony – Música Pop e Rock;
Palco Bojador – Grandes Orquestras;
Teatro Camões – Ópera;
Área aberta- Teatro;
Jardim de Timor – Rede Escolas;
Módulo Flutuante – Teatro e Música;
Pavilhão Atlântico – Utopia;
(Relatório Oficial da Expo’98, Parque Expo, páginas 194-205)
 
“Durante os 132 dias da exposição foram muitos milhares os eventos culturais realizados. Houve 1.893 espectáculos diferentes ao ar livre, num total de 6.785 sessões. Para além destes efectuaram-se 101 espectáculos, desdobrados em 710 sessões, no Teatro Camões, Marina Show, Unicer, e o programa desportivo do Espaço Adrenalina; e, ainda, muitas centenas de actuações dentro dos pavilhões dos participantes ou no espaço adjacente a eles. Tudo conjugado poderá fazer ascender a cerca de 10.000, o número total de sessões realizadas no recinto da Exposição durante os 132 dias.”[ii]
Importa referir que, para além desta extensa oferta cultural da responsabilidade da organização da Expo’98, os países Participantes concorreram nessa tarefa com o objectivo de garantir uma oferta mais variada e representativa da diversidade cultural do Planeta : “ Mediante uma pesquisa prévia, a Organização sugeriu quais as propostas de animação e espectáculos que gostaria de receber de cada participante e, encetou um diálogo com cada um deles, de forma a atingir uma harmonização das intervenções artísticas, quer com o espaço, quer com o tema da exposição. Naturalmente, a opção final sobre a representação cultural a apresentar na Expo’98 competiu a cada um dos Participantes; a acção da organização foi sempre meramente orientadora”[iii]. Nesse sentido, “procurou-se que os participantes transmitissem, fora dos seus pavilhões, a sua arte e cultura, da tradição ao contemporâneo e ao experimental, com espectáculos multi-disciplinares de carácter mais ou menos formal, seguindo as mesmas orientações adoptadas para a programação temporária”[iv] e a resposta no entender dos responsáveis do evento foi excepcional, apesar dos inevitáveis contratempos.
     Atente-se neste quadro que reparte, em termos percentuais, os espectáculos dos países Participantes por géneros artísticos :
 
REPARTIÇÃO PERCENTUAL DOS ESPECTÁCULOS DOS PARTICIPANTES, POR GÉNERO ARTÍSTICO
ANIMAÇÃO DE RUA
ARTES CIRCENSES
DANÇA
MÚSICA
TEATRO
39,4%
0,50%
15%
40,4%
2,20%
Fonte : “Relatório Oficial da Expo’98” Parque Expo, página 218
 
A participação dos seis países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné – Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), membros da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), correspondeu a 132 sessões, às quais se somaram as intervenções culturais dos Territórios de Timor - Leste e Macau.[v]
 
Restauração E Comércio
 
No recinto da exposição existiram zonas de restauração que incluíam restaurantes dos países participantes como Alemanha, Austrália, Brasil, Egipto, Espanha (três restaurantes), E.U.A, Filipinas, Finlândia, França, Cabo Verde, Itália, Macau, Marrocos, México, Panamá, Republica da Coreia, Seychelles, Tunísia, Turquia, Uruguai, Venezuela [vi]. Um convite para experimentar os sabores do mundo que começa logo pelo aspecto exterior dos restaurantes, como é o caso do restaurante de Macau cuja fachada exibe Dragões, ou o do restaurante da Finlândia que à porta exibe uma rena embalsamada de nome “Pedro”. O restaurante de Marrocos opta por um registo mais discreto, como que convidando á descoberta do seu espaço interior. Os restaurantes de Cabo Verde e do Uruguai parecem estar em festa permanente[vii].
 Embora a decoração e o ambiente, mais ou menos animado, sejam importantes, são as ementas que conquistam os visitantes e, por isso, os restaurantes internacionais apostam em pratos típicos, à maneira de embaixadores gastronómicos : no restaurante do Uruguai experimenta-se a Parrilada, no da Alemanha, servem-se salsichas e pernil de porco, no do México, predominam as tortilhas e os Tacos Don Elías, no do Brasil, a rainha é a feijoada à Brasileira e no de Cabo Verde é a Cachupa rica de Santiago.
Finalmente, um outro elemento que ajuda a construir a viagem gastronómica pelo mundo é a música tradicional de cada país que é servida nos restaurantes internacionais. Nesta área, os mais originais são os Filipinos que trouxeram um grupo especial – são os próprios empregados de mesa que, após servirem as refeições, tocam e cantam para os visitantes. Os marroquinos optam pelos sons mais tranquilos dos instrumentos africanos e orientais ao passo que no restaurante de Cabo Verde as noites aquecem ao ritmo dos sons quentes africanos.[viii]
No que concerne às lojas de artesanato internacional, verificámos a existência de oito lojas e provenientes de países como o Egipto, a França, a Índia (2), o Paquistão, o Quénia, a Tailândia e a Tunísia, que exibiam produtos de artesanato ou típicos dos respectivos países.[ix]
 
Lojas de Artesanato Internacional
EUROPA
ÁSIA
ÁFRICA
FRANÇA
ÍNDIA
PAQUISTÃO
TAILÃNDIA
QUÉNIA
TUNÍSIA
EGIPTO
 
Para, além disso, no interior dos pavilhões dos países participantes no evento, existiam igualmente artigos provenientes de cada um dos participantes e representativos da cultura de cada um deles [x]


[i] Idem
[ii] “Relatório Final da Exposição Mundial de Lisboa”, página 194, Parque Expo S.A
[iii] idem
[iv] ibidem
[v] ibidem
[vi] Dados retirados do “Guia Oficial da Expo’98”
[vii] Com base num artigo publicado na revista Visão do dia 9 de Julho de 1998, pág. 94/95/96
[viii] idem
[ix] “Guia Oficial da Expo’98 – Restaurantes” páginas 292/293;
[x] “Guia Oficial da Expo’98 – Lojas “ páginas 296/297/298;
sinto-me:
música: Hino da Expo 98 e de Portugal

12
Ago 09
publicado por acriacao, às 08:14link do post | comentar

 

A Candidatura De Portugal À Realização Da Expo’98
 
 
Em Fevereiro de 1990, o Governo iniciou o processo de candidatura de Portugal e da cidade de Lisboa à realização da exposição mundial que coincidiria com a celebração de uma efeméride nacional: os 500 anos da chegada de Vasco da Gama à Índia.Três meses depois, no dia 14 de Maio de 1990, a candidatura portuguesa é formalmente aceite pelo Bureau International des Expositions BIE –criado por convenção diplomática em 1928 para regular a organização e qualidade das exposições internacionais de natureza não económica ou não comercial com uma duração superior a três semanas, organizadas oficialmente por um país e para as quais os convites de participaçãosão feitos por via diplomática.– este aceita um documento que propõe a realização de uma exposição, numa área de 25 ha junto ao Tejo. A proposta inicial sofreu algumas alterações posteriores – os 25 ha de terreno passaram para 60 ha; a Exposição internacional passou a ser Mundial; a data de inauguração, prevista para 10 de Junho foi alterada para 22 de Maio. No ano seguinte, em Fevereiro, é anunciado publicamente pelo Governo a localização da Expo na zona oriental de Lisboa. Finalmente, no dia 23 de Junho de 1992, é conhecido o resultado final da candidatura: Lisboa ganha a Toronto e prepara-se para organizar a última exposição do séc. XX.
A escolha da zona oriental de Lisboa para receber este grande evento foi um processo relativamente complexo e longo“A decisão de realizar a Expo-98 na zona oriental de Lisboa foi um processo que durou dois anos (1989-1991), envolvendo representantes de vários ministérios, da Câmara Municipal de Lisboa e da Administração do Porto de Lisboa. Para além da zona oriental, colocavam-se também como hipóteses de localização, Alcântara-Belém e Margem Sul” ··
Escolhida a zona de Lisboa, assegurada a vitória da candidatura na organização do evento, os anos de 1992/1993 vão ficar marcados pela definição de funções a atribuir aos diferentes organismos criados para a organização e gestão do projecto.
 Em primeiro lugar, a criação do “Comissariado da Exposição Internacional de Lisboa – EXPO’98 Lisboa” através da resolução de Conselho de Ministros nº15/93 de 8 de Março e na dependência do Primeiro Ministro. Ao Comissariado competiu “preparar, organizar e coordenar, a nível interno e externo, as operações necessárias à realização da exposição, nomeadamente perante as organizações internacionais e os países e entidades participantes”[i]O Comissariado é presidido pelo Comissário Geral da EXPO’98 que é a figura que assume a responsabilidade central do evento, cabendo-lhe a representação do governo português em todos os assuntos referentes à exposição, o dialogo com o BIE e todos os participantes, alguns poderes regulamentares e disciplinares, bem como a presidência da sociedade encarregue de realizar a Exposição, a Parque EXPO’98, SA. A EXPO’98 teve dois Comissários gerais, o primeiro, o Eng. Cardoso e Cunha nomeado no dia 4 de fevereiro de 1993 veio a ser substituído a 6 de fevereiro de 1997, pelo Eng.º Torres Campos que inaugurou a exposição, designados por Resolução do Conselho de Ministros. A composição do Comissariado visou assegurar o carácter interministerial do mesmo, para além da representação das Câmaras municipais de Lisboa e de Loures e da Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses. Integram ainda o Comissariado três personalidades de reconhecido mérito e previu-se também a possibilidade de o integrarem vogais representantes de entidades relevantes para o sucesso da Exposição, em ambos os casos sob proposta do Comissário – Geral.[ii]
À sociedade anónima de capitais públicos - Parque Expo’98 S.A -participada pelo estado e pelas Câmaras municipais de Lisboa e Loures, com poderes em matéria de planeamento, poder de expropriar terrenos com carácter de urgência e com isenções fiscais (sisa e imposto de selo ) caberia projectar um novo espaço urbano de raiz. Este projecto, norteado pelos dois vectores reabilitar e transformar, constituiu“ uma oportunidade urbanística de a área metropolitana de Lisboa se afirmar como uma porta da Europa no centro do Mundo”. [iii]
 A delimitação da “área crítica de recuperação e reconversão urbanística da zona oriental de Lisboa”- criada pela Câmara Municipal de Lisboa : “A Parque Expo 98 fica assim responsável pela realização do projecto de reconversão urbana da área de intervenção da Expo’98, bem como pela concepção, execução e desmantelamento da Exposição.” ·
 A complexidade da estrutura jurídica, hierárquica e burocrática, associada à dimensão do evento e ao desejado projecto urbano, conduziu à constituição da Parque Expo’98 em sociedade Gestora de participações em Sociedades”[iv] ( São estabelecidas 4 sociedades : Atlântico-Pavilhão Multiusos de Lisboa; Oceanário de Lisboa, S.A; Gare Intermodal de Lisboa S.A e Expo Urbe). [v]
 Em 1993 é aprovado o regime de reordenamento urbano do plano de urbanização na Zona de intervenção que propunha desenvolver um grande projecto de recuperação urbana (denominado Plano de Urbanização da Zona de Intervenção) o qual do ponto de vista qualitativo propunha contribuir para o equilíbrio sócio-urbanístico da cidade através da criação de uma nova centralidade para a região e para a cidade, em torno de um grande interface de transportes – a Gare do Oriente – que articula caminho de ferro, metropolitano e transportes rodoviários.
 A re-localização de equipamentos estruturantes de nível metropolitano (a nova Feira Internacional de Lisboa e o Pavilhão Multiusos de Lisboa com capacidade para 15.000 espectadores) e a construção de novos equipamentos dos quais se destacam o Oceanário, um Teatro ( “Camões“) constituem objectivos a atingir, bem como a criação de condições à instalação de actividades do terciário especializado e investigação, numa área dotada de grande acessibilidade e modernas infra - estruturas de telecomunicações. Na área da habitação o grande objectivo passava pela criação de mais ou menos 7.500 fogos no ambiente urbano junto ao rio Tejo.

A reconstrução da frente de rio com 4,5 km de extensão, integrando o chamado parque urbano do Trancão, o passeio ribeirinho e a Doca dos Olivais em torno da qual se projectou uma área de recreio (incluindo uma Marina) e lazer ( restaurantes, lojas, actividades para as crianças, espaços ajardinados e verdes em geral e jogos de água com um elevado grau de atractividade para os visitantes. Do ponto de vista quantitativo, o plano de urbanização da zona de intervenção afecta 24% da área à edificação (Função residencial e de negócios) 10% de equipamentos e 40% e espaços verdes



[i] “Relatório oficial da Expo’98” página 32, Parque Expo 98 SA
[ii] Dados recolhidos no Relatório oficial da Expo’98, páginas 33 e 34, Parque Expo
[iii] “A Cidade da Expo”, Anexo – Expo’98 Cronologia de um processo, de Alexandra Castro e Joana Lucas, págs.346/347
[iv] “A Cidade da Expo”, Anexo – Expo’98 Cronologia de um processo, de Alexandra Castro e Joana Lucas, págs. 346/347
[v] Ver Organigrama do Grupo Expo em Anexos
música: Hino da Expo 98 e de Portugal

10
Ago 09
publicado por acriacao, às 12:31link do post | comentar

EXPO’ 98: “Um Projecto Estratégico Para Portugal” [i]

 

O relatório final da Expo`98 apresenta as grandes linhas deste projecto, os dois grandes objectivos que nortearam a realização deste projecto ou, seguindo a terminologia utilizada no Relatório Final da exposição, um “Projecto global que inclui dois projectos estreitamente harmonizados entre si : a realização da exposição Mundial de Lisboa e a regeneração urbana de uma área de 340 hectares, localizada na zona oriental de Lisboa, junto ao Rio Tejo”[ii] .

   A organização e realização da exposição, “em si mesma da maior importância para Portugal”[iii], impulsionou a reabilitação urbana, ambiental da Zona de Intervenção, transformou economicamente a zona, alterou a sua funcionalidade urbana – de uma zona exclusivamente industrial ( Indústria Pesada) passou a zona de lazer, residencial, de comércio e serviços e manteve a função industrial (Indústria ligeira) abrindo aos lisboetas e visitantes da cidade uma nova frente de rio, na sequência do que já vinha a ser feito na zona ribeirinha, nomeadamente na zona central e ocidental de Lisboa.

   O projecto Expo`98 obedeceu a um rigoroso planeamento estratégico, ou seja, “desenhou a plena coerência entre os objectivos propostos, os meios disponíveis e os processos empregues”[iv], sem ignorar a questão temporal e a necessidade de assegurar o cumprimento dos prazos estipulados quer para evitar o aumento descontrolado dos custos do empreendimento quer para assegurar a abertura da exposição na data prevista – 22 de Maio de 1998 – e a conclusão do projecto de reabilitação urbana para o final de 2009.

 Embora se possa dizer que a reabilitação urbana da zona oriental de Lisboa era inevitável (aliás como vimos no sub-capítulo anterior - “Plano Estratégico de Lisboa) a verdade é que “foi a Exposição de Lisboa que motivou a forma perfeitamente planeada como se assumiu” [v]a reabilitação da zona urbana. A este propósito veja-se os termos da Resolução de Conselho de Ministros nº15/93 de 8 de Março, que criou o Comissariado da Expo`98, ao referir-se à exposição : [vi]”A dimensão internacional de tal iniciativa e a relevância que a sua realização assume no plano da projecção de Portugal no Mundo (...) conferem a este evento uma importância transcendente. Por outro lado, a realização da Expo`98 oferece a possibilidade única de intervir, no plano urbanístico, numa zona da cidade de Lisboa que, desde há muito é das mais degradadas, sendo que esta intervenção assim como a própria realização da exposição segundo os mais altos padrões de qualidade e eficácia, exigem uma rigorosa compatibilização de esforços e coordenação de iniciativas.”.

Os desígnios estratégicos, por nós sublinhados, implicam um planeamento rigoroso, a concretização dos objectivos propostos com a “comprovação da modernidade do País”[vii] e foram concretizados “de acordo com o programa apresentado ao Comissariado da EXPO’ 98, em Novembro de 1993, nos seguintes sete objectivos:

1.      Evocar, projectando - a no futuro, a contribuição pioneira e decisiva dos descobrimentos portugueses para o processo de expansão europeia  dos séculos XV e XVI, que conduziu a um melhor conhecimento do Homem e da configuração do planeta;

2.      Reafirmar e dar expressão á vocação portuguesa para o encontro pacífico e mutuamente enriquecedor entre povos e culturas diferentes;

3.      Dar a conhecer a realidade de um país moderno, em pleno processo de desenvolvimento e de integração num espaço económico e institucional alargado;

4.       Criar um acontecimento de projecção mundial, capaz de constituir ocasião privilegiada para a comunidade europeia divulgar e sensiblizar a opinião pública para os projectos, acções e objectivos prosseguidos pela Comunidade em áreas relacionadas com o tema da exposição;

5.      Contribuir para a firmação de Lisboa como grande cidade do Atlântico, intervindo na renovação do tecido urbano de forma criativa e duradoura;

6.      Proporcionar a constituição em Lisboa, em 1998, de um fórum onde se avalie o estado dos conhecimentos actuais sobre os Oceanos, contribuindo para a desejável criação de novos sistemas de gestão da massa líquida do planeta e para a preservação do equilíbrio ecológico, através de formas racionais de exploração dos recursos marinhos;

7.      Contribuir para a dinamização da actividade económica nacional, nomeadamente através da expansão de determinados sectores dos serviços, dos transportes e da indústria nacional, bem como para a criação de postos de trabalho”. [viii]



[i] Este título é utilizado no Relatório Final da Exposição Mundial de Lisboa, página 26

[ii] “Relatório Final da Exposição Mundial de Lisboa”, Parque Expo 98, 1998, pág. 26

[iii] “Relatório Final da Exposição Mundial de Lisboa” Parque Expo 98, página 26

[iv] “Relatório Final da Exposição Mundial de Lisboa”; Parque Expo 98,página 27

[v] “Relatório Final da Exposição Mundial de Lisboa”; Parque Expo 98, página 28

[vi]  “Relatório Final da Exposição Mundial de Lisboa”; Parque Expo 98, página 28.

[vii]  “Relatório Final da Exposição Mundial de Lisboa”, Parque Expo 98 SA, página 28.

[viii]  “Relatório Final da Exposição Mundial de Lisboa”, Parque Expo 98 SA, página 28/29

música: Hino da Expo 98 e de Portugal

07
Ago 09
publicado por acriacao, às 06:32link do post | comentar

A freguesia de Santa Maria dos Olivais e zona oriental de lisboa: breve caracterização histórica

 

Numa freguesia caracterizada pela profusão de quintas, começam a surgir, nos finais do séc. XVIII e primeira metade do séc. XIX, as primeiras fábricas ou indústrias nos Olivais – curtumes, pregos, chitas – e, na zona da doca dos Olivais assiste-se ao desenvolvimento de actividades marítimas como a pesca, a extracção do sal e os serviços de pilotagem do rio Tejo. Em consequência disso e no contexto sócio - político da revolução liberal de 1832-34, a aristocracia proprietária das quintas vai dando lugar a uma burguesia recém-enriquecida de comerciantes, industriais e outros homens de negócios (de vinhos).[i]

 A partir de 1851, e da elevação dos Olivais à categoria administrativa de Concelho surgem mais unidades fabris, o que não altera o aspecto bucólico da paisagem do concelho (a maioria das quais estava localizada em Xabregas e no Poço do Bispo); em 1856 é inaugurado o caminho de ferro (Poço de Bispo/Olivais e Braço de Prata/ Cabo Ruivo) e em 1886 o concelho dos Olivais é extinto, apesar do aumento populacional verificado durante este período (de 1840 com 2000 habitantes e 629 fogos, passa, em 1900, a 7164 e 1486). Para além da função industrial, esta zona constituía um local de atracção para o lazer e passeio dos lisboetas, dada a localização privilegiada junto ao Rio.[ii] 

No séc. XX e com a vigência do Estado Novo, a freguesia dos Olivais, incluindo a zona que corresponde à área de intervenção da Expo98, virá a sofrer profundas alterações urbanísticas e funcionais. Em 1938 é estabelecida em Cabo Ruivo uma base naval para hidroaviões. Dois anos mais tarde, em 1940, é instalada a refinaria de Petróleo - que se manteria até à fase de intervenção ligada ao projecto Expo`98, com sucessivas ampliações em 1955 e 1970. A inauguração do Aeroporto da Portela em 1942 é outro momento importante para a freguesia que assiste, ao longo da vigência do Estado Novo, ao crescimento da sua população que a tornará na mais populosa, embora mais extensa freguesia de Lisboa.[iii]

A importância dos Olivais e da Zona Oriental como zona industrial desde o séc. XIX resulta segundo Teresa Barata Salgueiro (1999: 139) da sua localização privilegiada: “As zonas oriental e ocidental na coroa da cidade prolongam as margens do centro tradicional e têm também tradição industrial, pelo menos desde o século passado. Começaram por beneficiar da localização junto do rio, por onde recebiam a lenha, o carvão e os produtos a transformar, localização cujas vantagens, em termos de acessibilidade, foram reforçadas pela instalação da linha férrea, do centro de Lisboa para Norte e, mais tarde, no que toca ao sector Oriental pela construção da auto-estrada do Norte”.

  Nas décadas de 70 e 80 a área urbana com 5 km de frente ribeirinha e uma área de 330 hectares começa a revelar sinais de degradação e abandono que englobavam uma refinaria, um complexo de armazenagem de produtos petrolíferos, um depósito de material de guerra, um matadouro industrial, um aterro sanitário, um parque de contentores e que tinha cerca de 3.000.000 de toneladas de lixos de Lisboa depositados em condições deficientes. [iv]

 

A zona de intervenção [v]

 

A chamada Zona de Intervenção, situada na Zona Oriental de Lisboa, junto da Doca dos Olivais estava desvalorizada e degradada, com níveis de poluição elevados, nenhuma capacidade de atracção, sem equipamentos, sem acessos e transportes, com funções de reduzida importância, e finalmente com uma má imagem urbana (apesar de estar inserida numa área que possuía qualidades indiscutíveis ao nível paisagístico, o que constitui uma mais-valia importante para a recuperação e atracção de investimento). Para Matias Ferreira, a zona oriental da cidade era associada, a uma área com indústrias poluentes, (nomeadamente petrolíferas e químicas), com instalações obsoletas e desactivadas e por outro a uma área desqualificada e degradada, do ponto de vista habitacional e urbanístico, com predominância de bairros operários, instalados aquando do processo de industrialização da região de Lisboa. A zona oriental de Lisboa apresentava áreas de habitação social recente muito degradada, com extensos bairros de barracas, e ao nível socio-económico das populações residentes uma estrutura social com predominância dos estratos mais baixos, sob os pontos de vista económico e cultural. Era ainda associada à ideia de zona onde é difícil chegar, com acessibilidades muito deficientes.[vi]

No início da década de noventa, as instâncias Centrais (Governo) e locais (Câmara Municipal de Lisboa) assumem a necessidade de assegurar a intervenção para:

“Obter um maior equilíbrio interno da cidade e área metropolitana, na distribuição das principais funções; Estancar o decréscimo e envelhecimento populacional de Lisboa cidade, fixando jovens e atraindo novos residentes e revalorizando a função habitacional; Potencializar a Re-qualificação das actividades económicas, culturais e científicas, através da sua melhor inserção urbana; Recuperar a frente ribeirinha, abrindo a cidade ao rio, requalificando os espaços públicos e reequilibrando as áreas verdes em toda a cidade, com vista a uma maior qualidade urbanística e ambiental; Melhorar as infra-estruturas de suporte, nomeadamente suprir as carências de transportes e comunicações, sob pena de se agravarem as rupturas do sistema.“ [vii]

 

 Zona oriental de lisboa: o papel da Câmara Municipal de Lisboa – o “Plano Estratégico de Lisboa”

 

 

 No âmbito do chamado “Plano Estratégico de Lisboa” [viii] a Câmara Municipal de Lisboa presidida por Jorge Sampaio elaborou um plano de médio e longo prazo para a Cidade de Lisboa, aproveitando a dupla oportunidade proporcionada pela realização da “Lisboa Capital Europeia da Cultura” e da “Exposição Mundial de Lisboa” considerados “acontecimentos de importância fundamental para o futuro de Lisboa” [ix].

   A afirmação da cidade de Lisboa num contexto político, económico e social  decorrente da adesão á Comunidade Económica Europeia a 1 de Janeiro de 1986 e consequente integração de Portugal é apresentada da seguinte forma, no documento: “a integração de Portugal na C.E.E e a realização a partir de 1993 do grande mercado interno europeu num período histórico em que se mundializam as acitivdades económicas, científicas, culturais e políticas colocam Lisboa perante a necessidade de encontrar o seu lugar próprio na rede de cidades europeias e de, nesta, assumir, estratégias competitivas assentes em factores de progresso”.[x] Para, além disso, o fenómeno da internacionalização da economia mundial “acelera as mutações nas formas de mobilização dos recursos humanos, científicos e tecnológicos e das formas de organização do espaço, reforçando cada vez mais o papel da informação. A internacionalização condiciona o papel das realidades nacionais afirmando o peso das realidades e instâncias supranacionais (de que a C.E.E é o exemplo mais dinâmico) e o das realidades infranacionais (grandes regiões e metrópoles). Como os espaços económico-sociais onde se definem estratégias com autonomia face ás prosseguidas no tradicional quadro nacional”[xi].

  “E nesse sentido, destaca-se a necessidade de apoiar os sectores mais competitivos, isto é, com recursos humanos mais qualificados e tecnologicamente mais bem apetrechados, privilegiando os bens e serviços de maior valor acrescentado – na óptica da exportação, o turismo joga um papel vital – numa lógica espacial que não pode ser confinada ao território de Lisboa, mas sim, e cada vez mais, ao da Região Metropolitana” [xii] .

Enfim, o princípio estruturador do plano estratégico é “Lisboa Capital Atlântica da Europa” dada a influência determinante da localização geográfica da cidade na sua história, na sua configuração e no seu papel num contexto nacional, regional e mundial, “Lisboa, afirmou-se numa tripla dimensão : como cidade capital, como cidade europeia e como cidade atlântica. A Vocação de Lisboa tem que se encontrar no cruzamento destas dimensões.” [xiii]

  No âmbito deste plano, a zona Oriental de Lisboa e a sua qualificação constitui um compromisso inscrito neste plano de médio e longo prazo: A Zona oriental de Lisboa abrange cerca de 1.800ha cerca de 22% da área do concelho e nela residem cerca de 126 mil pessoas. É uma área tradicionalmente desvalorizada, votada à mono – funcionalidade dos projectos urbanísticos, às deficientes condições de acessibilidade, à degradação dos valores patrimoniais, naturais e histórica e separada do rio pelas implantações industriais e de uso portuário.” A recente decisão da escolha da zona oriental para a realização da Expo assim como a perspectiva da concretização, nesta área de uma nova travessia do Tejo, podem constituir factores decisivos de uma acelerada transformação desta parte da cidade ".

 

 

 

            QUALIFICAÇÃO DA ZONA ORIENTAL

 

1. DESCRIÇÃO

 

2. JUSTIFICAÇÃO /RELAÇÃO COM OS OBJECTIVOS DO PLANO

 

Programa de Qualificação da zona oriental de Lisboa eliminando as barreiras que a separam da cidade nomeadamente através de :

- Ordenamento urbanístico, aproveitando os seus valores naturais e construídos, a sua centralidade e as suas áreas intersticiais.

-          Programa de investimentos aproveitando as sinergias da Expo`98 : centro cívico dos Olivais, Prolongamento da Av. dos EUA; Avenida central de Chelas; Avenida Infante D. Henrique; Extensão do Metro....

-          Implantação de novas actividades industriais, de investigação e de terciário avançado.

Recuperação de uma zona tradicionalmente desvalorizada e desqualificada, que reúne condições potenciais de grande valor, se devidamente aproveitadas com disponibilidade de terrenos municipais e privados para a valorização, modernização e qualificação da cidade;

 

 

 3 INCONVENIENTES DA NÃO REALIZAÇÃO

4. RESPONSÁVEIS

Manutenção da situação de desvalorização e desqualificação

Câmara Municipal de Lisboa

Operadores públicos e privados

Comissariado para a Expo 98

 



[i] “Pelas Freguesias de Lisboa – Lisboa Oriental” de Consiglieri, Carlos; Ribeiro, Filomena et altri  página 139/140, Câmara Municipal de Lisboa, 1993

[ii] idem

[iii] idem

[iv] Dados retirados do “Relatório Final da Exposição Mundial de Lisboa” Parque Expo 98, 1998

[v]Designação atribuída pelos responsáveis da Expo ‘98 à zona escolhida para a realização da Exposição Mundial de 1998;

[vi] “ A Cidade DA EXPO’98” de Vitor Matias Ferreira E Francesco Indovina (org.), página 212, 1999, Editorial Bizâncio

[vii] “Manual do Formando da Expo’98, Módulo I, pág.34, 1997

[viii] “Plano Estratégico de Lisboa”, C.M.L, Outubro 1992;

[ix] idem, pág. 19;

[x] idem, pág. 45,

[xi] idem, pág. 45

[xii] idem, pág. 45

[xiii] idem, pág. 57

sinto-me: orgulhoso
música: Hino da Expo 98

06
Ago 09
publicado por acriacao, às 22:53link do post | comentar

 

A Cidade de Lisboa
 

No processo de crescimento da cidade é possível identificar etapas de crescimento e “momentos de viragem” referentes ao lançamento de intervenções urbanísticas planeadas que criaram novas centralidades, novos espaços de atracção e de desenvolvimento urbano na cidade de Lisboa[i].

O primeiro desses grandes momentos correspondeu à reconstrução de Lisboa, na sequência do terramoto de 1755. Foi a primeira intervenção estruturante com duas características fundamentais: desenho de um novo modelo urbano –um novo modelo de arquitectura e a transformação profunda da produção e da gestão urbana. A reconstrução da Baixa pombalina, exemplo do “urbanismo iluminista”, foi realizada num curto espaço de tempo como resposta à situação de emergência decorrente do grande terramoto. 

Nos meados do século seguinte, as mudanças operadas na metrópole expandiram a cidade para Poente (Avenidas Novas), com a abertura de grandes eixos dotados de infraestuturas inovadoras, dos quais se destaca a abertura da Avenida da Liberdade. Como refere França, [ii] “Depois da reconstrução pombalina, pela primeira vez se criavam ruas novas em Lisboa, inteiramente inventadas, fora de qualquer sujeição a sítios tradicionais que elas atravessavam numa indiferença moderna, cortando a direito em nome do progresso que se gerara no Fontismo...”.

O terceiro grande momento de ruptura e transformação profundas na cidade de Lisboa surgiria apenas na década de 1940, sustentado pela política concentrada e fortemente dirigida do Estado novo. “A Cidade do Estado Novo”, como é classificada pelo autor caracterizou-se por um plano alargado de obras públicas que incluiu a construção do aeroporto, a ampliação do porto, a criação de grandes equipamentos públicos como área universitária e o estádio nacional, abrindo novos eixos viários, criando o grande parque florestal de Monsanto. Este momento é decisivo pela influência que viria a ter na futura consolidação da cidade e da sua imagem enquanto metrópole de um império colonial reforçado pela duração do regime que só viria a ser alterado com a revolução de abril de 1974.

O final da década de 80 e a década de 90 são marcados por uma tentativa das instituições locais e centrais de inverter essa situação, através de um investimento mais intenso nas infraestruturas como o saneamento básico, a habitação (o Plano de erradicação de Barracas), a recuperação dos bairros históricos, a modernização do sistema de vias de comunicação e da rede de transportes, a emergência de novos espaços de lazer (a “relação com o rio e a frente ribeirinha de Lisboa”).

  No seguimento deste processo de mudança com a melhoria da qualidade de vida das populações no quadro duma estratégia de desenvolvimento que, partindo das características específicas de uma antiga capital colonial virada para o Atlântico, com uma frente ribeirinha por explorar podendo-se afirmar a cidade de Lisboa no contexto europeu.

Pensar, planear e construir de raiz uma nova área urbana, a partir da realização de uma exposição mundial - Expo 98 - constituiu o último momento de viragem na evolução da cidade.

 


[i] “Lisboa Periferia e Centralidades” de Barata Salgueiro, Teresa, págs. 7/9, 2001, Celta;

[ii] “ Lisboa, Urbanismo e Arquitectura”; de França, José Augusto, cap.6, data, Livros Horizonte

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